Um estudo canadense publicado na conceituada revista científica Brittish Medical Journal questionou a mamografia para o diagnóstico precoce de câncer de mama. Mas os especialistas brasileiros reconhecem a validade dela. Confira as indicações desse e de outros exames e quando começar a se preocupar em avaliar a saúde dos seus seios.

 

1. O que é mamografia?

 

É o exame-padrão para o diagnóstico de câncer de mama. Permite detectar o tumor em fase inicial, quando mede milímetros e ainda não é palpável. Na mamografia analógica, o seio é comprimido e exposto aos raios X. São tiradas duas chapas (frente e lateral) e as imagens gravadas em um filme. Os equipamentos digitais dispensam os filmes: as imagens são mostradas na tela de computador. No Brasil, a maioria dos aparelhos é analógica.

 

2. Quando a mamografia de rotina deve ser iniciada?

 

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) recomenda que ela seja feita a cada dois anos, dos 50 anos aos 69 anos – faixa de maior incidência de câncer de mama. Mas organizações como a Sociedade Brasileira de Mastologia, Associações de Ginecologia e Obstetrícia), o Colégio Brasileiro de Radiologia e a Femama defendem a mamografia anual a partir dos 40 anos.

 

3. Antes dos 40 anos, que exames são aconselhados?

 

O autoexame mensal e a palpação anual pelo ginecologista. Caso se perceba alguma alteração, como presença de caroço, retração de pele não associada à inflamação, mudança no formato, na textura ou no tamanho do seio, inversão do mamilo ou saída de secreção, o médico pode solicitar uma mamografia.

 

4. E se houver histórico de câncer de mama na família?

 

Cerca de 90% das mulheres que desenvolvem esse tumor não têm ninguém na família com o mesmo problema. Só em 10% é hereditário, mas considera-se alto o risco de câncer de mama quando um ou mais parentes em primeiro grau tiveram a doença, em especial se aparecer antes da menopausa. Nesse caso, a indicação é iniciar a avaliação dez anos antes da idade em que o câncer de mama surgiu no familiar.

 

5. Por que a mamografia aperta tanto os seios?

 

“Para separar as estruturas internas e torná-las mais visíveis”, explica a radiologista Selma de Pace Bauab. A sensação dolorosa costuma ser maior no período pré-menstrual porque os seios ficam mais sensíveis. É melhor marcar o exame para depois da menstruação.

 

6. É verdade que a mamografia não é o melhor exame para quem tem mamas densas?

 

Segundo Francisco, a pesquisa sempre começa com a mamografia, mas, em mulheres com mamas densas e mais fibrosas, a visibilidade não é boa. Nesses casos, é comum solicitar a ultrassonografia como complementação. Esse exame permite diferenciar nódulos líquidos e sólidos (os últimos podem ser malignos) e ver tumores não observados na mamografia.

 

7. A ressonância magnética não seria a melhor opção?

 

A ressonância identifica alterações mínimas que podem levar a biópsias desnecessárias. É indicado quando já há o diagnóstico de câncer para observar mais detalhes e programar melhor o tratamento.

 

8. A mamografia reduz a mortalidade por câncer?

 

Há estudos feitos na Suécia que mostram uma queda de 15 a 30% na mortalidade. Já no trabalho publicado no Brittish Medical Journal, a redução foi de apenas 8%.

 

9. É importante a mulher dizer que tem silicone?

 

Sim. A prótese pode dificultar a visualização de tumores. “Mas existem manobras que aumentam o campo de visão na mamografia”, diz Selma. A primeira parte do exame é igual e, na segunda, o técnico empurra a prótese e comprime apenas o tecido mamário.

 

10. O que pode ser feito para a doença ser prevenida?

 

O principal é manter uma boa qualidade de vida: ter uma alimentação saudável,fazer exercícios regularmente, evitar bebida alcoólica e fugir dos quilos a mais, em especial depois da menopausa. A maternidade protege contra esse tumor se a mulher tiver filhos antes dos 35 anos de idade e amamentá-los.

 

 

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